Em cumprimento ao Sexto Congresso da COICA, realizado em Leticia, Colômbia, de 11 a 15 de junho de 2001, ficou definido como sede do VII CONGRESSO GERAL DA COICA se realizará em Guiana Francesa, cumprido o mandato de quatro anos, como opção Boliiva, sendo que no dia 17 de Junio de 2005 se definio a segunda opção para os dias 27 de Junho a 01 de Julio de 2005.
Os congressos gerais são ferramentas privilegiadas e veículos de coordenação, decisão e orientação como espaços para definição dos planos, ações, mandatos e eleições de suas instâncias de direção. Neste momento, estamos nos preparando para a realização do VII Congresso, espaço em que apresentaremos os avanços da COICA em seu conjunto e que daremos novas diretrizes institucionais, renovando as Lideranças da COICA para os quatro anos seguintes, de 2005 a 2009.
Os esforços coletivos, um trabalho que foi iniciado há séculos por nossos ancestrais e com a Coordenadora das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica temos continuado e cumprindo... 21 anos de continuidade em uma etapa de nosso caminhar... Assim viemos refletindo na memória do IV Congresso da COICA realizado na cidade de Manaus, em novembro de 1992, feito por nosso primeiro presidente, Evaristo Nugkung Imanan: “Este informe deve começar reiterando o êxito do projeto político de nossos povos, que está resumido na unidade e na representatividade que temos alcançado. Se estamos presentes com todas as organizações amazônicas e ainda com uma liderança, com maior experiência, é porque o projeto da COICA está avançando seriamente. Não haveria nem interesse, nem assistência, sem que os oito anos passados não houvessem produzido algo novo na Amazônia. Apesar dos erros que houvéssemos cometido, nos alegra terminar esta gestão com este resultado histórico”.
Nosso percurso histórico afirma que de 1984 a 1988, etapa da constituição e reconhecimento mútuo, é que foi colocado em marcha o projeto político da COICA. Um primeiro passo foi reconhecermos como parte de um mesmo universo sociocultural, de nossa existência e diversidade como povos; o segundo passo foi o de coordenar ações, trocar experiências, consolidar os processos nacionais, regionais e internacionais; e o terceiro passo e o mais difícil foi e é o de dar respostas a nossas necessidades e atender à agenda externa com nossa visão.
De 1989 a 1992, período de consolidação institucional do projeto político organizativo da COICA que não apenas era viável como também necessário e, mais ainda, avançava a um ritmo superior a nossa expectativa. A estruturação orgânica do movimento indígena no âmbito da bacia amazônica foi um passo correto e oportuno, uma vez que somente assim poderíamos cobrir os espaços políticos que se abriam em torno da Amazônia.
Os anos entre 1992 e 2001 formaram um período de afirmação de nossos ideais como organização indígena internacional da Bacia Amazônica, alcançando avanços políticos, sociais, jurídicos e visíveis nos distintos níveis. Esses anos foram marcados por longos processos de orquestração e afirmação em instâncias como os Congressos Gerais, o Conselho de Coordenação e o Conselho Diretivo. Todos esses espaços foram e são fundamentais para a definição da estrutura orgânica de agir da COICA
De 2002 a 2005 estivemos presentes em âmbito global, regional e nacional com ações coletivas definidas pelo marco orientador de nossas políticas: a AGENDA INDÍGENA AMAZÔNICA; para gerar uma maior autonomia financeira, o FUNDO FIDEICOMISO; e para o reconhecimento institucional de nosso trabalho, o KUAMOTE (Arquiteto de toda a criação). Tanto interna como externamente, nossas ações coletivas nos permitiram estabelecer uma relação de cooperação, como, por exemplo, a Aliança Mundial dos Povos Indígenas e Tribais dos Bosques Tropicais (espanhol) e o Compromisso pela Vida, assumido conjuntamente pela COICA e seus membros, como a CICA, da América Central, e a ONIC, da Colômbia, assim como com outros atores que de alguma maneira tenham relação conosco.
Passadas duas décadas, Sebastião Haji Manchineri volta a afirmar: "a COICA segue sendo a novidade e o êxito, pois faz parte de um processo histórico único: é o fruto de um trabalho que envolve memórias coletivas, saberes dinâmicos, inumeráveis lideranças em diversas formas e realidades, que em conjunto fortalecem o marco fundamental de nosso mandato institucional: nós somos povos pré-existentes, muito antes que os Estados Nacionais, conseqüentemente temos o direito irrevogável à livre determinação, em virtude da qual definimos nosso futuro e as relações que mantemos com o Estado Nação".
É evidente que o não cumprimento dos Estatutos da organização debilita não somente o processo organizativo, como compromete a legitimidade e a credibilidade de suas instâncias de direção, administração e coordenação, tanto em âmbito interno - organizações membros – como externo, nos cenários internacionais onde atuamos. Como instância máxima, o Congresso reúne os líderes e dirigentes de toda a bacia amazônica, a dizer, 10 delegados por cada organização membro da COICA, além dos integrantes do Conselho Diretivo, no total de cinco (5), somando 95 congressistas oficiais. Neste sentido, esperamos continuar recebendo o apoio de nossos aliados para contribuir no cumprimento de nossa missão institucional: “Gerar uma política própria enquanto povos da Amazônia, identificando e consolidando objetivos comuns a fim de desenvolver ações conjuntas para a sustentabilidade humana, ambiental e econômica desde a nossa perspectiva”.
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