É um resultado histórico, apresentado em 14 de março de 2004, na cidade de Quito - Equador, nas celebrações dos 20 anos da COICA, nas palavras do Coordenador Geral, Sebastião Haji Alves Rodrigues Manchineri, “a COICA continua sendo a novidade e o êxito, pois faz parte de um processo histórico único: é o fruto de um trabalho que envolve memórias coletivas, dinâmicos saberes, inumeráveis lideranças, diversas formas e realidades distintas que, em conjunto, fortalecem o marco fundamental de nosso mandado institucional nos 20 anos de continuidade em uma etapa de nosso caminhar” (2) Nossa preexistência como Povos distintos se caracteriza pela defesa da vida e da Amazônia como espaço livre e de paz, afirmando e determinados a continuar como semente na terra (3).
Somos 390 povos com uma população de 2.779.478 habitantes, nos 10.268.471 km2 da Amazônia. Nossas práticas ancestrais, há séculos, conciliam desenvolvimento sociocultural e econômico com respeito aos processos biológicos da natureza. Para nós, a Amazônia não é algo abstrato, nem um vazio demográfico, tampouco é uma mercadoria. Ela é o que afirma o Vice-Coordenador Jocelyn Therese: “A Amazônia é a zona geográfica e cultural que suscita a maior admiração em todo o planeta. Ela conquistou os sonhos e tem conformado a espiritualidade de milhares de povos, durante séculos. O compromisso de nossa vida temporal, que segue a milhares de outras vidas em tempos passados, presentes e futuros, se inscreve no cumprimento do dever espiritual para salvaguardar nossas terras sagradas”. Em outras palavras, a Amazônia é um conjunto de relações que envolvem os seres que a habitam. As inumeráveis experiências destes ciclos de enfrentamentos e, em particular, nos 20 anos de trabalho coletivo, foram fundamentais para a concertação, seguimento e continuidade das ações e permitiram obter resultados e avanços importantes no respeito e afirmação como povos que somos em nossa diversidade e institucionalidade.
De 1984 a 1988 - etapas de constituição e reconhecimento mútuo - se põe em marcha o projeto político da COICA. Um primeiro passo foi nos reconhecermos como parte de um mesmo universo sociocultural de nossa existência e diversidade como povos; o segundo passo foi coordenar ações, intercambiar experiência, articular os processos nacionais, regionais e internacionais e o terceiro, e o mais difícil, foi dar respostas a nossas necessidades e atender a agenda externa com nossa visão.
De 1989 a 1992 foi um período de consolidação institucional – projeto político organizativo da COICA, que não somente era viável mas necessário e avançava a um ritmo superior a nossas expectativas. Estruturar organicamente o movimento indígena no âmbito da bacia amazônica foi um passo correto e oportuno, porque só assim poderíamos cobrir os espaços políticos que se abriam em torno à Amazônia.
De 1993 a 2004 foi um período de afirmação de nossos ideais como organização indígena internacional da Bacia Amazônica, conseguindo avanços políticos, sociais e jurídicos visíveis nos distintos níveis. Foi marcado por longos processos de concertação e afirmação no marco de suas instâncias como Congressos Gerais, Conselho de Coordenação e Conselho Diretor, ademais de participação nos diferentes espaços em temas que nos afetam. Todos estes espaços foram e são fundamentais para a definição da estrutura orgânica de atuação da COICA.