1.3 Nossa Resposta aos Desafios
Como organizações indígenas da Bacia Amazônica, nos projetamos como uma afirmação de nossa sustentabilidade, com nossas culturas, em relação harmônica com a natureza para evitar padrões de injustiça social, a destruição ambiental e uma visão mercantilista sobre os recursos naturais. Como uma alternativa real para estas mudanças, estamos avançando em nosso propósito institucional, atentos a nossa responsabilidade e definindo nossos objetivos, tanto a nível organizativo, social e de direitos.
No cenário político agimos incidindo nos diferentes níveis para a garantia de nossos direitos; entre eles, o mais fundamental é a segurança de nossos territórios, trabalhando conjuntamente entre povos e organizações fronteiriças na região. Como uma comunidade de história, nós sofremos os mesmos problemas, os mesmos vícios e preconceitos, situação que fortalece ainda mais nosso processo orgânico. E a COICA, é a síntese deste esforço, sendo a Agenda Indígena Amazônica (AIA), nosso plano de vida.
Nossa grande Maloca evolutiva, espaço de encontro entre o material e o espiritual, onde se entrelaçam os seres humanos e os espíritos. É a filosofia do Sacha Runa (homens da selva) que engloba o respeito à diversidade, a ética da reciprocidade e o reconhecimento da responsabilidade compartilhada. Princípios maiores que nos orientam a todos a uma vida guiada pela força espiritual, colocando o acesso aos bens materiais, no qual todos os seres possam reproduzir-se de maneira sã e duradoura. Entretanto, para seguir nesta grande Maloca é fundamental que os territórios e os recursos ali existentes estejam sob nosso controle e administrados por nós, e ademais, regulamentados por nossos sistemas jurídicos que requerem ser devidamente reconhecidos nas Constituições Nacionais e Tratados Internacionais.
É nosso fortalecimento institucional, pelo qual decidimos seguir em frente e ser semente na terra, garantindo a participação horizontal dos membros e levando em consideração as demandas das comunidades como primeiro nível, passando pelas federações como instância representativa até as organizações centrais, empreendendo programas de geração de renda e organizativos para atingir a livre determinação.