IV CONCLUSÕES
A Agenda Indígena Amazônica é uma síntese de nossos desejos como povos, parte integrante do universo amazônico, rico e diverso não somente no ambiente natural, mas fundamentalmente em sua população, a qual durante anos tem integrado de maneira sã todos os espaços que, por alguma vez, ouvimos falar que se considerava “vazio”, são lugares compartilhados ou como sítios sagrados, ou como área de coleta dos povos que habitamos e vivemos neste universo social e culturalmente construído.
Detectamos que, de maneira geral, as organizações membros da COICA, apesar dos avanços conjunturais regionais criaram situações internas que favorecem a divisão do movimento indígena, com claros choques de visão que dificultam a obtenção dos benefícios e resultados positivos das ações e, neste contexto, alguns de nós atendemos a interesses alheios, esquecendo nossos ideais e até nossa identidade e origem. Frente a tudo isto reconhecemos que também está em nós mesmos a fortaleza para enfrentar essas vicissitudes da atuação de nossas organizações e povos. Apresentamos para o conjunto dos atores internos e externos a Agenda Indígena Amazônica – AIA –, como a estratégia comum do movimento indígena e, como processo, deve seguir a corrente de envolvimento dos atores que atuam em nossos povos e de nós mesmos.
Neste sentido, a Agenda Indígena Amazônico traz em si alguns dos mais inspiradores desejos daqueles que vivemos, sentimos e sonhamos nesta Amazônia. É fundamental que os governos nacionais mantenham uma atitude e disposição de diálogo e não restrinjam os espaços de concertação estabelecidos ou em processo de estabelecimento. Que nós mesmos, como COICA, consigamos os recursos necessários para manter nosso funcionamento orgânico, logístico, operativo e de coordenação, tanto pelos governos nacionais como por nós.