2.5.6 A Educação Superior Indígena
O tema de educação superior para nós é, em uma reflexão não somente com respeito a seu termo, mas principalmente em relação ao seu conteúdo e na necessidade de formular políticas, que em um contexto macro se subtende como uma ação de Estados. Como é conhecido, a experiência latino-americana em relação a uma educação superior em geral é e foi limitada devido à falta de compromissos governamentais com os temas sociais e, em relação a nós se complica ainda mais, por um problema discriminatório e os conceitos de inferioridade que a civilização nos impôs.
Para nós a educação não é simplesmente um título, é também a forma de visualizar, aceitar, respeitar entre humanos e a natureza e ter nossos valores e princípios consolidados. Mas na educação clássica, o que nos ensinaram é a ser cristão, civilizados, educados, nos criam e nos reduzem a uma educação diferenciada, intercultural bilíngüe ou também denominada etno-educação. Ademais, nos impõem um sistema de educação rural, que é uma forma de eliminar nossos idiomas, cultura, espiritualidade. Ninguém se preocupou pelos conteúdos e a qualidade de ensino.
Nestas condições de acesso restringido à educação básica, média e superior não acorde às necessidades socioculturais dos povos indígenas, mas com qualidade, o que nos estão levando é mais bem que nos consolidemos em um espaço inferior que não oferecem as condições para compartilhar em um mundo de globalização, está fomentado-se a criação de status de primeira, segunda e terceira classe.
Como proposta ante esta situação, defendemos que a interculturalidade deveria ser um matiz fundamental de toda iniciativa de educação, pois os povos indígenas temos como principal barreira para o reconhecimento de nossos direitos, precisamente o desconhecimento por parte das sociedades e Estados Nacionais das propostas e as ações das organizações indígenas. Com relação às iniciativas de Educação Superior Indígena, consideramos que a formação de futuros profissionais indígenas deveria ir na perspectiva em que evoluciona o reconhecimento de nossos direitos a nível de cada país em espaços multilaterais. A COICA deu um passo importante que se traduz na adoção da Agenda Indígena Amazônica, onde a Formação Acadêmica e Científica é uma de suas partes. Isso propende a fortalecer nossos conhecimentos em todos os níveis, com o fim de decidir nosso destino e que nos permitam tomar decisões em forma consciente, tendo como princípio nossa cosmovisão com os territórios, a natureza e a vida humana.
Neste marco, a COICA, por exemplo, está implementando por segunda vez um programa de educação superior para líderes indígenas dos países da bacia Amazônica, denominado Especialização em “Direitos Indígenas e Recursos Hidrocarburíferos” que procura preencher um vazio, a formação de profissionais próprios que respondam às necessidades de nossos povos e comunidades. Esta iniciativa é parte de uma estratégia integral de desenvolvimento educativo para os povos indígenas amazônicos que incorpora distintos níveis de educação formal. Desde o ciclo de graduação às especializações, mas sem desatender as necessidades daquelas pessoas comprometidas com a atuação indígena que conta com um nível de educação inferior ao ensino médio. Para eles se desenvolverão formações específicas, mas respondendo a critérios de excelência e acessibilidade. Assim mesmo, a oferta de pós-graduação a médio e longo prazo deverá dar conta do conjunto das necessidades inerentes à problemática indígena.