2.5.3. Problemas Enfrentados pelos Jovens Indígenas Amazônicos no Ensino Superior
Segundo a análise da LEDA – UNIDAE, algumas das causas que incidem nas dificuldades experimentadas pelos jovens indígenas para aceder à formação profissional são, entre outras, as seguintes: não há competências básicas que lhes permitam atingir os resultados que estabelecem os exames de ingresso e isto se atribui a uma deficiente educação básica e média. Para aqueles que conseguem entrar, tais carências vão limitar sua possibilidade de acesso aos conteúdos disciplinares próprios das carreiras, gerando reprovação e deserção. Outra causa é que os jovens e suas famílias não estão em possibilidade de sustentar os estudos, devido a sua limitada capacidade econômica. Numerosos jovens das diferentes nacionalidades apresentam, ademais do assinalado, dificuldades de comunicação e problemas de contato e compreensão das situações nas que se desenvolvam a educação superior “tradicional”. Um último problema se deve aos ambientes de aprendizagem, particularmente nas interações com outros sujeitos (professores) que expressam atitudes pouco favoráveis em relação a estes estudantes.
Neste sentido, há uma necessidade de que os novos processos formativos sejam desenhados e sua atualização deve implicar a revisão e o eventual redelineamento do espaço em que se desenvolve, desde o ponto de vista da teoria e prática da construção das propostas educativas, onde se expressam tanto as intenções como as formas de fazer neste campo: o currículo.
O currículo, em conseqüência, desempenha um papel fundamental no funcionamento das instituições educativas, já que é a partir dele que se define a orientação e formas de fazer destas, incidindo tanto nos conteúdos de formação e a prática docente, como na estrutura organizativa e as interações com o entorno que levam a cabo para cumprir suas funções. Igualmente, é o espaço em que, de maneira implícita, se transmitem, consolidam e modificam atitudes, valores e pautas de comportamento, pelo que deve considerar-se também nos novos processos de planificação curricular, particularmente em situações onde as dimensiones ideológico-políticas desempenham um papel básico.
Nas condições atuais de operação dos planos de estudo de todos os níveis, incluído o de educação superior, os estudantes são sujeitos sumamente dependentes da modalidade de instrução proposta pelo docente, estão obrigados a adquirir uma grande quantidade de informação e de conceitos sobre temas disciplinares muito diversos, às vezes sem conexão entre si e mostram atitudes de grande passividade e submissão. Carecem de hábitos e estratégias que lhes permitam um desempenho autônomo ou mais independente, com mais possibilidades de auto-regulamentação, a fim de se inserirem em programas acadêmicos flexíveis, os quais apresentam características muito distintas as dos planos de estudo tradicionais.