3.8 Os Povos em “Isolamento Voluntário”
Na Bacia Amazônica, existem aproximadamente 80 povos em situação de estado natural. É conhecida a existência de 53 no Brasil, 20 no Peru e três (3) no Equador. Muitos destes povos ocupam zonas fronteiriças (Equador-Peru, Peru-Brasil). O nível de vulnerabilidade que enfrentam tende a incrementar-se como resultado da pressão sobre seus espaços territoriais por parte de grandes interesses petroleiros, madeireiros e construção de estradas. Embora tenham sido tomadas algumas medidas importantes para sua proteção, como as áreas intangíveis no Equador, ou a Reserva do Estado Nahua Kugapakori no Peru, estas disposições não impediram que se provoquem enfrentamentos tanto entre nós como principalmente com os invasores. Como o caso do massacre aos Taromenane no Equador, incentivado por madeireiros; enfrentamentos entre Povos em Isolamento com os Asháninka em Ucayali, também como produto da ocupação territorial de madeireiros. Ou a concessão para exploração petroleira e afins, o Projeto Camisea no coração do território reservado, no Peru. Neste país, todos os territórios oficialmente reconhecidos a favor de povos em estado natural, sem exceção, estão invadidos por madeireiros, petroleiras, religiões e seitas, pesquisadores e companhia cinematográfica com lamentável complacência, seja pela ação ou omissão, dos entes do Estado.
A AIDESEP é a organização que tem uma estratégia específica para a defesa destes povos. Assume uma representação solidária e através de seu Programa de Povos Indígenas em Isolamento Voluntário, entre outras ações, elaborou uma Proposta de Regime Especial sobre povos indígenas no isolamento e estabilidade jurídica para seus territórios. Realizou gestões para a retirada de agentes externos que invadiram os territórios destes povos. Contudo, não existe ainda nenhum nível de coordenação entre as organizações membros para um tratamento comum de defesa dos povos em isolamento voluntário situados em zonas de fronteira.