3.10 Os Problemas com os Parques Nacionais e a Conservação
No Peru, certas ONGs ambientalistas estão pondo em prática uma estratégia de penetração nos territórios através do enfraquecimento das organizações indígenas.(17) Contratam ex-dirigentes para trabalhar como “facilitadores” para o fortalecimento de organizações intermédias onde “conseguem o apoio” de alguns de seus dirigentes, avalizando seus planos, para enfrentar-se às organizações nacionais. Devemos ter a capacidade de estudar seu modus operandi, cortar suas fontes de aprovisionamento de recursos, e fortalecer a comunicação entre todos os níveis da organização amazônica e as nacionais com seus organismos intermédios e locais.
Um dos casos mais graves está no denominado “Corredor de Conservação Vilcabamba – Amboró”, cuja superfície é de aproximadamente 30 milhões de hectares, desde a Cordilheira Vilcabamba no Peru até o Parque Nacional Amboró na Bolívia, formando uma cadeia na zona núcleo de 19 áreas protegidas. A médio prazo desejam incluir outras áreas da selva central peruana em direção ao norte do corredor. Este programa é realizado pela ONG “Conservação Internacional”, com o apoio dos Estados envolvidos, mas sem nenhum tipo de consulta prévia às nossas organizações destes países.
A relação com as ONGs deve ocorrer sob a premissa de que a gestão dos programas e a administração dos recursos é de nossas organizações. Deve haver uma efetiva transferência tecnológica a nossos quadros organizativos e profissionais e os trabalhos devem ter um efetivo valor de uso. Nós não somos pretexto para obter fundos, nem uma lucrativa fonte de emprego a nome do desenvolvimento. Será simples diferenciar aqueles que efetivamente desejam ajudar-nos, daqueles que têm o que denominamos a “síndrome do entomólogo”, ou seja, aquele “intelectual que fala sobre nós como o entomólogo fala sobre as formigas”. O que ele diz, suas análises podem ser certas, e até podem ter “afeto” por nós, mas isso não significa que nos considere iguais, pessoas, sujeitos plenos. Mas é óbvio que é rentável que nós sejamos seu tema de pesquisa. Muitas vezes confundimos isso com algum tipo de nossos compromissos. Em realidade, em algumas ocasiões, seus materiais têm para nós pouquíssimo valor de uso, mas são muito valiosos para as corporações e o governo estadunidense, para entenderem melhor nossas formas de vida, os avanços organizativos e, assim, poderem planificar suas estratégias para eliminar os “obstáculo ao desenvolvimento e à democracia”.